O que você entende deste poema? Vai aí um exercício de interpretação. Depois compararemos as respostas, e eu dou o verdadeiro (mas não o único) intuito dele, ok?
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Onde estarias, criança,
se o teu peso, hoje, fosse lembrança
e não quisesses ser pássaro
a pular do alto do prédio?
Talvez fosses poeta, trovador
sonhando em tempos alheios
e ruflando asas em meu coração.
Não crescestes, criança,
e fizestes bem.
Que tempo haveria de passar
Até que o teu ser, adulto,
não fosse mais lembrado?
Não fostes pássaro, criança,
mas o teu pulo foi poesia,
única e bela,
a entornar tristeza ao chão.
Tua poesia é maior do que a minha,
é a poesia do eterno lembrar,
e na amargura dos teus versos
sorri a lembrar de ti, criança,
oriental criança
que, em viver na desordem,
preferiu o vôo raso até o alcatrão limpo
e sujo de humanidade.
Hoje não te vejo lá,
mas cá, criança, a rima dos teus olhos
ainda brilha.
- Paulo Valente.




